reflexos,reflexões.

Vulgarmente,paira sobre mim uma pesada sensação de nada.Um vão,um intervalo muito longo que esqueceu de acabar,uma falta de alguma coisa que eu não sei o nome.Talvez sejam só esses dias isentos de pressa e obrigações…talvez seja eu,talvez tudo.
É então que às vezes,saiu a dar voltas fora de mim;escapulo pra me observar.
Depois desse passeio não tenho vontade de voltar pra casa,pra mim; como um passarinho que,vendo-se livre,entende que suas asas foram feitas para voar e alcançar os céus e beijar o vento,não vê mais sentido em retornar a gaiola.

Mas eu volto sempre,como também o passarinho que desaprendeu a ser.Volto pro abrigo,que só não me protege de mim mesma; dessa outra que mora aqui e que também atende pelo meu nome. Ela,que quando a vida chama para uma dança recusa,e me deixa trocando passos com a solidão. Ela,que é cheia de idéias inalcançaveis,e não me deixa andar de pés descalços nem brincar com a chuva. Ela,que acha um desaforo eu achar desafio voar sem ter asas…
Ela que está sempre tão preocupada com o que há de vir,e me rouba o que poderia já estar sendo…troca as minhas palavras,me silencia outras;afrouxa as minhas certezas,sublinha os meus medos.
É dela que,ora  tento me proteger,ora me desvencilhar,enfim aparecer…é ela que,enquanto existir, enquanto reinar em mim,não me deixará viver.

Blossom

Add comment Janeiro 7, 2009

Você passou…

Sinto que passou todas as vezes que você passa e o mundo continua a existir,cheio de possibilidades…
O meu estômago,agora apenas estômago,e não mais um canteiro de borboletas encantadas e doidas.
Sinto que não morro mais de saudades e nem quero matar se você também não sente..
Não,eu não preciso mais que você veja o quanto eu estou bonita hoje,o quando eu cheiro à flor,o quanto a cor daquele batom realça a minha boca pequena.
Não preciso mais das tuas frases ambíguas pra martelar a minha cabeça e me plantar a dúvida no peito.
Eu não preciso mais que você goste,nem que você demore,nem que segure a minha mão,nem que sorrias pro meu dia sorrir…
Às vezes eu nem acredito que passou,e te olho mais uma vez,de-va-gar…achando que é pressa o que não deixa eu me sentir esmagada com a tua presença.
Deixei de te procurar em cada esquina. Incrível como você estava em tudo!ou como eu dava sempre um jeito de te encontrar em tudo..era como se você fosse um borboleta pousada nos meus olhos,me cegando pras outras cores que não fossem as estampadas nas tuas asas…
Sinto que passou…e eu nem vi quando,nem como..vuou?
Posso ser leve agora,sem o peso do mal-querer..posso ir pra casa sem parar no meio do caminho,pesada de chuva que queria chover dos meu olhos e não podia…
Eu posso até ser sincera olhando pra você,e alegre depois que você vai embora!
Posso até escrever esse texto,depois lê-lo em voz alta sem que minha voz se torne rara,engasgada,sem que os meus olhos
queiram chorar…melhor que tudo,eu posso gostar de mim outra vez.

Sinto que passou…mas eu só sinto, só.

E sentir é diferente de saber.

iuu

•Delicate blossom

1 comment Dezembro 27, 2008

dos riscos.


Não entendia aquela tristeza repentina que rebentava às vezes quase sempre.
Na verdade,sabia sim,fingia era não entender fugindo de algo maior,mais forte,mais fundo.
Vivia na parte rasa da vida molhando a ponta dos pés,colhendo o que as águas rasas conseguem trazer,o que sobra do que fica lá,mais adiante,lá,além,aonde sua vista não alcança,lá,onde pra chegar era preciso molhar-se inteira e abandonar os escudos pra conseguir ser leve…era onde ela não ousava ir nunca.E não arriscar doía tanto às vezes…tanto…que não arriscar já era por si só,arriscado demais.

mar


1 comment Dezembro 15, 2008

Deixo.

Parece que você sabe a hora certa de incomodar esse sentimento que está cansado e quer partir,que já vai na esquina,que só quer descansar em outro lugar.
Parece que você sabe que quase te esqueço,que quase me convenço,quase venço,quase dou meu coração a quem nele faz carinho.
Parece que você sabe o jeito exato de me fazer voltar,ou parar apenas;
pra te olhar mais uma vez,pra rir das tuas manias só mais um pouco,
pro coração bater de novo,por ligeiros segundos,só pra me lembrar pelo resto do dia que ele é teu.
-Ainda não,você  parece dizer. Ainda não é a hora de deixar de me querer ou
simplesmente deixar de esperar que eu te queira. Fica aí mais um pouco…
deixa eu ver de novo como você esquece dos outros quando eu falo manso com você,deixa eu sentir teu corpo só mais uma vez perdido ao encontrar o meu,deixa eu me confirmar como o cara certo pra você se apaixonar mas não pra se apaixonar por você…
Deixa eu notar de novo os teus olhos vez enquando desviando pra minha boca quando eu converso muito perto.
Deixa eu te mostrar como eu gosto de cálculos,como eu sei dividir você…
Deixa vai,deixa eu te lembrar como você gosta do meu abraço,e do meu cheiro,e das minhas bobagens,e do meu ar de menino,e da minha força de homem.
Deixa eu te acolher assim,como se eu quisesse te levar pra casa,e depois te soltar de repente como quem se enganou.Deixa eu me sentir querido com um olhar teu.Deixa eu ficar perto ao mesmo tempo tão distante pra você sentir como incomoda.
Deixa eu brincar assim com você,te fazendo perder a paciência e esse ar de boa amiga,esse passo de moça tranquila,que anda,e fingi que engana,como se não sentisse pressa de amar.de me amar.
Deixa eu te fazer cair em contradição,depois nos meus braços,depois na realidade de não me ter.

E eu deixo, achando que qualquer dia desses vc deixa de vir ao meu jardim colher as minhas melhores flores para adornar a tua vaidade. E eu deixo,achando que isso não se desdobra em mais querer. Deixo,porque sou humana demais,eu sou carne e coração,pq as vezes eu preciso acreditar que você ainda sente. Deixo,pq eu preciso te aproveitar enquanto você não vira só saudade.só saudade.

Blossom~

Por:Lá caitlin

1 comment Outubro 29, 2008

quando se quebra a ilusão.

Decidiu ficar.Ou outra coisa dentro dela,coisa independente,decidiu que  ficaria.
Encaminhou-se à biblioteca,foi encaminhada,puxada pela mão de alguém que não via. Alguém que precisava dos olhos dela pra ver,do coração dela pra sentir. E ela foi,como quem não quer lá muito,mas tem curiosidade. De repente parou,sem deixar de andar,de espanto,por dentro.
Era ele,sentado ao lado de uma menina que não reconheceu,mas que sabia quem era.
Seu coração bateu forte,e mais forte,e mais forte,até ficar fraco. Adentrou a biblioteca pra esconder o susto,depois mágoa,depois solidão,depois o que não cabia mais,o inescondível.
Sentou,achando que assim acharia lugar.
Tinha-o perdido! perdido não era bem a palavra era?pois para perder não seria preciso antes ter? nunca o tivera de verdade.
Mas não achou palavra melhor,mas sentia assim,como se os dois tivessem sido sempre e agora,de um golpe só,deixassem de ser.
A realidade de não tê-lo,sentindo-se sua,era apertada,e vestir-se de ilusão por vezes era mais confortável.
Estava despida agora de qualquer sonho.O que lhe deixou extremamente sensível.
Respirou fundo e saiu,dando as costas,fingindo para si que precisava ir ao banheiro aliviar a bexiga e não a alma,os olhos pesados de desilusão,a boca transborando palavras não ditas e beijos não dados.
Molhou um pouco os cabelos,como se o que lhe preocupasse fossem os fios fora de lugar e não o peito quase fora dela.Voltou,o que lhe fez olhá-lo de frente mais uma vez.
Ele aninhava-se a ela como um gato à sua dona. Sentou-se e abriu um livro.
Sentia-se incomodada como se as paredes fossem de vidro e ele a pudesse ver de onde estava.
Tinha o rosto imóvel,não olhava para os lados,apenas para aquelas
formigas paralíticas no papel que as vezes mais pareciam letras querendo dizer algo.
Teve a impressão de que se olhasse as janelas,poderia ver um beijo, e se não lesse sem parar,ouvindo mentalmente a própria voz,escutaria-os,e isso era demais. Exatamente alí,onde era exigido o silêncio,gritava.

Add comment Outubro 13, 2008

qua-se.

Hoje quase clareamos,quase fomos honestos,quase passamos por cima de. Você me disse, como quem não quer o nada,que não estava bem,assim,de repente,no meio do riso. E eu entendi aquilo como uma corda que você jogava pra eu te alcançar. A segurei como quem segura um fio de vida,pedindo pra saber de você,pedindo pra você me ajudar e segurar também. Você disse que não podia. E eu me perguntei qual seria, o propósito de se jogar uma corda a alguém senão resgatar,trazer pra perto?Hein???Quis te sacudir e perguntar em voz alta o que latejava no pensamento;Mas continuei te segurando com os olhos,solicitando o fim do espaço,do intervalo,da indiferença entre nós.  E eu só te via se afastando,cada vez que eu te pedia pra confiar,pra não soltar. Você soltou,deixando cair no chão a incerteza,e saiu. A deixou lá,mirando o meu peito mais uma vez. Eu passei por ela,sem olhá-la olhando,temerosa, fingindo confiança pra ela não perceber e me seguir,como eu fazia quando criança, ao passar por um cão com caradepoucosamigos. Ficou-se lá,parada,a incerteza inflada de certeza,esperando eu voltar para apanhá-la.Voltei,e mais uma vez a levei pra casa; pra alimentar esse sentimento que já arqueja e precisa de mim pra andar,o mesmo que,contraditoriamente, também me conduz e irriga de vida o meu coração.

1 comment Setembro 10, 2008

Amanhecida.

Eu  resolvi querer mais pra mim e menos garganta presa e coração atravessado.
 Enxergar em dia claro o azul,e numa nuvem,a beleza que é as vezes chover.
Resolvi me permitir ser alegre,desfitar a minha felicidade dos ombros de.
Sabe,estreito demais isso de passar os dias achando que a felicidade tá num certo gesto alí,num determinado abraço aculá,num sorriso só, num só olhar.
 Nããã,demarcado demais pra quem quer deitar fora das bordas!
 Eu quero é mergulhar, mas agora em mim,que posso ser funda e doce e salgada,em mim que sou clara e se quiser turva,também equivocada .
 Resolvi não me desperdiçar tanto,eu que também sou rara.
Não que eu tenha amanhecido a pessoa mais egoísta desse mundo,não.
Mas amanheci simplesmente,única e inteira, e especial demais pra lamentar não ser pra alguém.

Add comment Agosto 18, 2008

máscaras.

Lá estava ela..participando de mais uma cena feliz da vida de alguém,papel coadjuvante,nem que pela metade tentando ser feliz também. Seu riso era sincero,mas curto. Uma vontade de chorar que as vezes vinha,era mais de alegria ao ver tantas cores,tanto afeto fluindo,tanto abraço apertado e bonito. Vez ou outra,um vazio lhe preenchia,uma saudade de coisa alguma,uma culpa por saber que não exibia na cara aquela felicidade tão clara,tão completa que enxergava nos outros,ou que não conseguia fingir tão bem quanto eles. Espantava rápido esses pensamentos para acompanhar a piada seguinte,as vezes não conseguia mas ria,um riso meio torto,meio morto. Ninguém notou diferença, afinal é normal desânimo em fim de festa. Fingiu tão bem nesses últimos dias que estava bem,que ela própria acreditou que estivesse. Questionava-se o que teria comido antes,em casa,que lhe fisgava o estômago. Era isso. Talvez o que não a deixava sentir-se completa feliz,era apenas uma simples e incômoda dor no estômago. -Pensou.

Não eram as tardes de solidão acomuladas,nem o telefone mudo,nem o casal apaixonado na calçada; não era a televisão ligada pra fazê-la dormir cedo,nem os beijos dissolvidos,a contra-gosto engulidos,os abraços guardados pra ninguém,nem os olhos vermelhos na frente do espelho; não eram as noites que teve a certeza de ser a menina mais feliz do mundo nos braços de um cara e perceber pela …não sabe-se quantas vezes,que o que realmente abraçava, era o seu velho mudo companheiro,e no exato momento que acordava,idiota travesseiro! Não,não devia ser nada disso..não eram os seus desejos deixado num canto(mais precisamente debaixo do tapete),pra não sabe-se-quando,pra não sabe-se quem!

Por que não cala essa boca,descruza esses braços e vem me tirar o ar ? Eu não quero mais ouvir certas coisas que você diz, se só fazem sentido quando feitas, nem saber das tuas banalidades, quando o que eu quero e carrego no peito vale muito. Caso você queira me deixar tonta,tonta o bastante pra não me importar o outro dia,pra me fazer esquecer que horas são,pra fazer dançar essa louca que mora quieta dentro de mim, pra me fazer rir da garota sensata que me domina,e que duvida, que apareça quem desperte a inconsequente,a impulsiva,a reativa,a atrevida! Se for assim,não tem conversa;tem beijo,tem palavras desconexas, que fazem todo sentido ditas ao pé do ouvido,tem cheiro,tem coração batento a mil,tem boca salivando,tem olho no olho,pele com pele,tem arrepio; Mas se o que você quer é jogar,então vem,mas mostra a cara,coloca as cartas na mesa, fica bem ao meu alcançe caso eu queira contestar,caso eu queira te premiar com um beijo! Eu perdi o medo de perder. Amor,eu sou pequena ainda,mas esse esconde-esconde não tá com nada, a gente se quer,a gente não se procura, a gente não se acha!QUAL A GRAÇA??? Eu não vejo nenhuma,então vê se me deixa fora disso e cai fora de mim!

Estava agora em casa,com uma puta raiva dentro dos bolsos. Não queria acreditar que todas essas babaquices lhe tiravam a felicidade de novo,pior, que não deixaram de tirar.Não queria nem mesmo escrever depois sobre isso. Era um tapa no seu esforço pra esquecer,que só sabia sentir,querer; que era uma BURRA, em matéria de racionalizar sentimentos e mais burra ainda se tornava ao romantizá-los. E pra isso,putakipariu! não tinha remédio que desse jeito.

1 comment Julho 28, 2008

encontro.

Vem cá. Me da as tuas mãos.Agora deixa-as assim,abertas desse jeito,pronto.
Toma,segura só um pouco o meu coração,sente como pesa,como arde,como teima. Esquece, não fala nada agora, só me olha. Fica tranquilo.Não quero promessas.Não vou pedir que cuides dele,nem que meças palavras e atos para não arranhá-lo.
Só quero que agora,nessa exata hora, o sinta,o conheça,o queira ou não queira. Eu aceito devolução.
Tô sabendo, isso vai me custar um embaraço,um entalo,um branco no meu vocabulário já tão ralo;vou me confundir,as palavras vão fugir mas não as culpo,quando a armadura cair eu sei,também vou querer escapulir,mas olha.
Daqui eu não saiu se não sair, isso que eu não sei o nome,isso que eu sinto que nunca senti.
Empresta-me teus ouvidos,um tantinho do teu sossego? Não precisa chegar tão perto,fica aí mesmo;tua respiração pertuba a minha, e hoje preciso de fôlego,de calma pra te falar dos meus medos,de apertos tão inteiros,de sonhos tão urgentes.
Escuta…espera…eu,eu,eu…te quero! de um jeito que é estranho,que é meu,louco,novo,sincero! Eu gosto disso;me faz sentir ainda mais menina,mais tonta,mais aérea! Ao mesmo tempo que me faz sentir medo,
como criança do escuro e dor que eu pensei ser só de adulto. É gosto e desgosto. Vento nos cabelos e de repente paralisia.
É morder os lábios de desejo bom pensando em ti, e feio me ferir ao perceber que não estás aqui;ao alcançe dos meus dedos,das mãos,dos pés,da boca,da música que eu canto,dos poemas que eu leio.
Eu cansei de dividir meu quarto,minhas gavetas,minhas horas,minhas letras com as dúvidas.Pra falar a verdade,nunca gostei delas,odeio gente espaçosa. Pensando bem,isso de odiar certas coisas é relativo.
Pois pra você,faria cópia da chave do meu ser,da minha casa, e ao te entregá-la,diria:
-Entre,fique à vontade,descubra cada canto e recanto de mim.
Mas não me invada,não me arrombe as portas se as chaves te dei nas mãos.
Desculpe! Às vezes não percebo se tiro os pés do chão.
Eu falava de dúvidas não é? pois bem,como dizia,estou cansada delas. E esse cansaço foi quem me trouxe até aqui.
Estou Cansada de mostrar um sorriso que não é meu,de fingir que não sinto tudo quando você passa,e como quem não quer nada,dá um bom dia.
Cansada de conversas tolas,perguntas soltas,(será que vai chover?e ai?oi,tchau.)Quando o que eu queria é falar dessa imensidão que eu sinto,
e que às vezes duvido,será que me cabe?
Não,agora nao mais. Sentimento cresce sabia?Eu sei,pq foi eu quem lhe deu de comer,quem o vestiu de esperança todo dia,quem por vezes a tirou também.
Por isso vim aqui,dividí-lo,em partes, com os teus ouvidos. Cansada de falar com as paredes, e por certo elas também estão,de me ouvir.
Cansada de enigmas,de querer decifrar as tuas linhas,os teus olhos,a tua contradição. Cansada de crêr em certezas tão certas quanto a certeza da chuva amanhã.
Eu quero a verdade nua e crua,dita pela tua boca e depois constatada nos teus olhos.Eu quero saber dos teus pensamentos,dos teus medos,dos teus desejos,mesmo que eu não esteja entre eles,mesmo que eu não seja um deles. Quero até mesmo saber,quem é outra,que agora ocupa o teu peito.Quero, nem que isso rasgue o meu.
Quero desperdiçar essa estranheza que há entre nós,até que não reste rastro dela.
• Não quero que nos percamos pela segunda vez sem antes nos encontrarmos;mesmo que esse encontro seja hoje,sinônimo, de despedida

Delicate Blossom

2 comments Junho 29, 2008

é sem querer.

Eu não queria
mas quando vejo
já escureceu
escureci mais aqui.
Eu não queria
escrever depois ler
essas palavrinhas
tão apertadas,tão ancoradas.
Por que tem palavra clara,
que toca,que dança e tira pra dançar.
eu queria essas palavras
salvas,soltas,que de soslaio me fizessem lembrar
azul,céu,banho bom de amar.
Escrevo agora do meu apetite por elas
porque tenho fome de dias leves levados.
É mais desvio.
Caminho pra não lembrar das outras,
das tais tão tolas,
do frio.
Não tem jeito.
Meu vocabulário anda comigo,
anda que nem eu,
de cabeça baixa,
sem coragem nem autoridade
pra mandar a tristeza sair do meio.

blossom•

Add comment Junho 26, 2008

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Florescência

Se do mesmo modo que pode-se abrir o peito: pele, músculos e ossos, até o vermelho e nú coração arquejante, pudesses abrir meu ser: sonhos e medos, até a alma nua e palpitante, encontrarias um lugar escuro e úmido, com cheiro de terra molhada pela chuva. Ali, na terra fértil de minha alma chão lançou o semeador sementes de sonhos que brotaram rompendo a superfície da pele. Delicados botões que estão quase a florir, na ponta de retorcidos galhos de hera, pois já espia colorida a primavera, por sobre o ombro castanho do inverno. ♥ Lenise Marques

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