Archive for Janeiro, 2008

Chuvinha.

De repente o cinza pintou o céu, e uma chuvinha tímida começou a cair,sem pressa. Enquanto todos na rua recolhiam-se e fechavam suas janelas, ela deixou que a sua permanecesse aberta. Inclinou-se para fora. Fechou os olhos e parou.e pairou. Perdera o medo de se molhar, agora era o que queria. Deixou a chuvinha deitar-se nela. de-va-gar… Sonhou, enquanto a chuvinha durou. Pensamentos que voam rápido. Renato, cantava vento no litoral e perguntava: “Aonde está você agora? além de aqui,dentro de mim… Involuntariamente,seus olhos quiserem se encher. Acordou. Como se o próximo verso da música fosse lhe responder.

…O dono do céu já o havia tingido dum azul bonito,e no rosto dela desenhado um sorriso; molhado,mas colorido.

Delicate Blossom~*

E quando vejo o mar
Existe algo que diz:
-Que a vida continua
E se entregar é uma bobagem…


“Sei que faço isso
Pra esquecer
Eu deixo a onda
Me acertar
E o vento vai levando
Tudo embora…

/Vento no litoral-Legião Urbana/

1 comment Janeiro 18, 2008

/-Do meu lar/

A dor partiu. Ela sempre parte de dois jeitos: o e do nosso peito.
Primeiro partiu a mim;depois partiu ela mesma. Foi-se embora.
Não pergunto se pra sempre,sei que dores regressam para casa quando menos esperamos.
São displicentes.
Mas será que voltam da mesma cor? mesmo tamanho?mesma força de hércules?
Não sei.
Enquanto não descubro,vou arrumando a confusão que ela deixou.
Pintando as paredes que ela rabiscou,com a cor mais leve que eu tiver.
Varrendo a culpa e o pó cinzendo do fim.
Juntando os cacos do vidrinho,onde eu guardava as minhas ilusões doces e que,estilhaçado pelo chão,as vezes me ferem os pés.
Guardando os brinquedos que tirei do armário pra brincar-de-ser-feliz.
Lavando toda mágoa. Secando as poças d’água.
Procurando mais pegadas da senhora dor,pelo chão da casa, te encontrei na sala.
Pensei em mudar-me,correr,fugir da tua presença!
Mas não. Eu moro aqui.
Sempre morei em mim.
Numa hora dessas,mês,ou ano você vai embora como a dor,eu sei que sim.
Fique o tempo que quiser,só não posso sentar pra conversar,
tô indo cuidar de mim!
“Delicate~Blossom”
Escrito em 10/12/07

3 comments Janeiro 15, 2008

~Às vezes me faço duas.

A figura daquele rosto bonito de rapaz, lhe visitava bem menos agora o pensamento,
o que estranhamente lhe trazia medo.


-Não é esse o verbo que vens a conjulgar,todos os dias, para o teu coração e a tua cabeça:
esquecerás,esquecerás
,esqueça!!?
-Sim, é.
-Então,medo por quê?
-Não desejo que as lembranças se percam.Já não me afetam negativamente.
-Tens a certeza do que afirmas?
-Não,não a tenho.
-Deixe que aquele sentimento se esgote por inteiro,minha menina.
-Só assim estarei pronta para aconchegar ao meu seio as lembranças? -Sim,deixe que o tempo dure e cure.
-Não preciso banir versos da minha vida só pq eles não rimaram, não é?
-Isso não significa absolutamente,que eles não foram bonitos.Você está aprendendo pequena.
-Um dia poderei lembrar com um sorriso, esses versos, ao lado de quem os inspirou?
-Seguramente que sim,se apenas quiseres, e então enxergará nele ternura e saudade.
-Receberei a amizade que um dia desacreditei ser possível…
-Reverberando aos seus olhos não como findou,mas o quão bonito foi.

O tempo se encarrega de mudar muitas coisas.”

Delicate*blossom

1 comment Janeiro 11, 2008

Para o norte!

Barco by ~nisaza

É engraçado como o meu sorriso anda removente. Efêmero; Como o colorido do entusiasmo se instala e se desfaz num minuto,escorre ligeiro,feito corpo de água.E esse vai-e-vem, balançar do meu barquinho…me deixa meio tonta. Perdida em alto mar.É a memória que vira e mexe por aqui forte vem ventar. Leva o meu norte, a direção de mim. Me faz retroceder pra eu não chegar.Pra eu não ver o que existe além-mar.Entendi que não posso ir contra ela, mas ao meu favor.Há os dias em que me gosto,me namoro; O peito infla da satisfação de ser-quem-sou.Há os dias também em que mando-me embora com ardor.Nada de superfícies refletoras!Nada de deparar-me comigo!Tolice…Como se na falta de espelhos eu não pudesse me enxergar..Na calmaria ou não,desprovida de sorrisos ou não,para o norte é que eu continuo a remar.

Delicate blossom.

4 comments Janeiro 5, 2008


Florescência

Se do mesmo modo que pode-se abrir o peito: pele, músculos e ossos, até o vermelho e nú coração arquejante, pudesses abrir meu ser: sonhos e medos, até a alma nua e palpitante, encontrarias um lugar escuro e úmido, com cheiro de terra molhada pela chuva. Ali, na terra fértil de minha alma chão lançou o semeador sementes de sonhos que brotaram rompendo a superfície da pele. Delicados botões que estão quase a florir, na ponta de retorcidos galhos de hera, pois já espia colorida a primavera, por sobre o ombro castanho do inverno. ♥ Lenise Marques

No meu jardim~*

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