do meu estar.

Abril 30, 2008

Eu não sei até onde vai a minha solidez,essa minha consistência. Por enquanto me desfaço,me derramo longe dos teus olhos. Até quando eu não sei. Sinto que a qualquer hora me descobrirás no meu verdadeiro estado: saturada,amontoada,densa,fervilhante,liquefeita,matéria bruta esperando ser modificada. Ávida por um sopro,cheia dos sonhos; de toda noite rezar baixinho pra você amanhecer, chegar e dizer que tá chato,ruim, quem sabe até insuportável andar sozinho sem mim?tá…admito, quanto egoísmo!pois é tudo que desejo ouvir, mas é tudo também que não ouso falar. Amontoada estou de esperas; Densa,quando me sinto muito,daqui um minuto tão pouco pra você. Saturada de quases, dos “quem sabe”…quando,será?de porquês. Fervilhante toda vez que descubro te querer.Morna,quase fria,à tua frente quando finjo te esquecer; liquefeita ao ver teu sorriso dançando tão bonito longe do meu. Supor vc brincar com o meu coração nas mãos, achando tão legal tão normal me gasta;me consome. Acho que é só cansaço, de só saber o teu nome.De ter que te ver,te poupar do meu intento,do meu autêntico pensamento. Cansada de escrever pra abrandar,e acabar tumultuando mais o confuso. De guardar lugar,colo,coração,canção; pra quem esqueceu de chegar. Sentir a saudade bater,até arder;me maltratar.

Sentir que fomos feitos e somos desfeitos um pelo outro,cansa além de tudo. E muito.

delicateblossom’

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Florescência

Se do mesmo modo que pode-se abrir o peito: pele, músculos e ossos, até o vermelho e nú coração arquejante, pudesses abrir meu ser: sonhos e medos, até a alma nua e palpitante, encontrarias um lugar escuro e úmido, com cheiro de terra molhada pela chuva. Ali, na terra fértil de minha alma chão lançou o semeador sementes de sonhos que brotaram rompendo a superfície da pele. Delicados botões que estão quase a florir, na ponta de retorcidos galhos de hera, pois já espia colorida a primavera, por sobre o ombro castanho do inverno. ♥ Lenise Marques

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