Archive for Junho, 2008

encontro.

Vem cá. Me da as tuas mãos.Agora deixa-as assim,abertas desse jeito,pronto.
Toma,segura só um pouco o meu coração,sente como pesa,como arde,como teima. Esquece, não fala nada agora, só me olha. Fica tranquilo.Não quero promessas.Não vou pedir que cuides dele,nem que meças palavras e atos para não arranhá-lo.
Só quero que agora,nessa exata hora, o sinta,o conheça,o queira ou não queira. Eu aceito devolução.
Tô sabendo, isso vai me custar um embaraço,um entalo,um branco no meu vocabulário já tão ralo;vou me confundir,as palavras vão fugir mas não as culpo,quando a armadura cair eu sei,também vou querer escapulir,mas olha.
Daqui eu não saiu se não sair, isso que eu não sei o nome,isso que eu sinto que nunca senti.
Empresta-me teus ouvidos,um tantinho do teu sossego? Não precisa chegar tão perto,fica aí mesmo;tua respiração pertuba a minha, e hoje preciso de fôlego,de calma pra te falar dos meus medos,de apertos tão inteiros,de sonhos tão urgentes.
Escuta…espera…eu,eu,eu…te quero! de um jeito que é estranho,que é meu,louco,novo,sincero! Eu gosto disso;me faz sentir ainda mais menina,mais tonta,mais aérea! Ao mesmo tempo que me faz sentir medo,
como criança do escuro e dor que eu pensei ser só de adulto. É gosto e desgosto. Vento nos cabelos e de repente paralisia.
É morder os lábios de desejo bom pensando em ti, e feio me ferir ao perceber que não estás aqui;ao alcançe dos meus dedos,das mãos,dos pés,da boca,da música que eu canto,dos poemas que eu leio.
Eu cansei de dividir meu quarto,minhas gavetas,minhas horas,minhas letras com as dúvidas.Pra falar a verdade,nunca gostei delas,odeio gente espaçosa. Pensando bem,isso de odiar certas coisas é relativo.
Pois pra você,faria cópia da chave do meu ser,da minha casa, e ao te entregá-la,diria:
-Entre,fique à vontade,descubra cada canto e recanto de mim.
Mas não me invada,não me arrombe as portas se as chaves te dei nas mãos.
Desculpe! Às vezes não percebo se tiro os pés do chão.
Eu falava de dúvidas não é? pois bem,como dizia,estou cansada delas. E esse cansaço foi quem me trouxe até aqui.
Estou Cansada de mostrar um sorriso que não é meu,de fingir que não sinto tudo quando você passa,e como quem não quer nada,dá um bom dia.
Cansada de conversas tolas,perguntas soltas,(será que vai chover?e ai?oi,tchau.)Quando o que eu queria é falar dessa imensidão que eu sinto,
e que às vezes duvido,será que me cabe?
Não,agora nao mais. Sentimento cresce sabia?Eu sei,pq foi eu quem lhe deu de comer,quem o vestiu de esperança todo dia,quem por vezes a tirou também.
Por isso vim aqui,dividí-lo,em partes, com os teus ouvidos. Cansada de falar com as paredes, e por certo elas também estão,de me ouvir.
Cansada de enigmas,de querer decifrar as tuas linhas,os teus olhos,a tua contradição. Cansada de crêr em certezas tão certas quanto a certeza da chuva amanhã.
Eu quero a verdade nua e crua,dita pela tua boca e depois constatada nos teus olhos.Eu quero saber dos teus pensamentos,dos teus medos,dos teus desejos,mesmo que eu não esteja entre eles,mesmo que eu não seja um deles. Quero até mesmo saber,quem é outra,que agora ocupa o teu peito.Quero, nem que isso rasgue o meu.
Quero desperdiçar essa estranheza que há entre nós,até que não reste rastro dela.
• Não quero que nos percamos pela segunda vez sem antes nos encontrarmos;mesmo que esse encontro seja hoje,sinônimo, de despedida

Delicate Blossom

2 comments Junho 29, 2008

é sem querer.

Eu não queria
mas quando vejo
já escureceu
escureci mais aqui.
Eu não queria
escrever depois ler
essas palavrinhas
tão apertadas,tão ancoradas.
Por que tem palavra clara,
que toca,que dança e tira pra dançar.
eu queria essas palavras
salvas,soltas,que de soslaio me fizessem lembrar
azul,céu,banho bom de amar.
Escrevo agora do meu apetite por elas
porque tenho fome de dias leves levados.
É mais desvio.
Caminho pra não lembrar das outras,
das tais tão tolas,
do frio.
Não tem jeito.
Meu vocabulário anda comigo,
anda que nem eu,
de cabeça baixa,
sem coragem nem autoridade
pra mandar a tristeza sair do meio.

blossom•

Add comment Junho 26, 2008

Por que?

Por que é tão difícil declarar sentimentos sem a garantia de que ao terminar se vai escutar : “eu também”?
Por que é tão difícil atravessar essa ponte chamada vaidade sem a garantia de que
haverá alguém do outro lado,sorrindo,nos esperando?
Por que muitos de nós,escolhemos continuar a sentir dor se há como aliviá-la?
A probabilidade de senti-la ser multiplicada no caminho pra chegar ao alívio nos faz ficar
com a dor habitual mesmo. tolice! Pq as vezes a dor é aquela que não passa,não diminui,não desacelera,não estaciona com o tempo.
E você acaba congestionando você mesmo mais ainda.
Passa a sentir o dobro,o triplo,o incontável. Se perde.
Pensa em soluções insolúveis. Vê e sente tudo em grau absurdo. As formigas te assustam e num copo d’água você pensa que pode se afogar.
É mesmo difícil deixar de olhar pra si, pra atender sentimentos,vontades,desejos,anseios que são invisíveis;distantes.
Mas só você sabe,sabe pq sente,o quanto eles podem se fazer presentes,concretos!
Você sabe que quando não ouvidos criam mãos,
apertam nosso peito,criam dentes,mastigam nosso juízo.
É mais fácil fingir que
não existem né? conversa pra dor dormir!
Por que preferimos andar sobre a solidez de espinhos à pular de olhos vendados num precipício?
É a altura,é a possibilidade da queda,de estabacar-se todo,quebrar braço,perna,manchar essa nossa cara bonita.
Assumir sentimentos dá trabalho,é complicado,mas ignorá-los definitivamente eu nem sei mais. Tento. Por isso todo esse amontoamento de mim.Falta orientação,sobram apertos,portas,medos!Por isso escrevo.

Delicate.

Add comment Junho 24, 2008

segundo sol.

Como pode alguém assim de carne e osso,cabelos desgrenhados,vermelho nos lábios, um sujeito de jeito despreocupado,olhos sabidos,as vezes tão perdidos,sempre indecifráveis ser um sol? Como pode esse cara de hábitos tão normais,que come,dorme,canta,chora,talvez leia jornais,ser um sol?Me diz como pode ele ser um sol, se anda por ai,fala por ai,abraça,beija por aí? como pode ser um sol se veste calças e quando sorri se vê os mais bonitos dentes que eu já vi? Não entendo. Porque mesmo que seu nome seja outro, quando ele encosta sua face na minha amanhece,o meu dia clareia pela segunda vez,então sonho alí em pé mesmo,nos seus braços;é gostoso como aqueles minutinhos a mais na cama sabe?O despertador toca e é sempre cedo. Ele se vai antes que eu diga como o adoro,como me aquece o seu falar. Ele se põe. escurece.

‘Blossom’

1 comment Junho 19, 2008

stop.

foto:by ~Silvery-Lily

Ó coração! pq não páras?sim! é isso mesmo! pq não páras?
de cantar essa canção desafinada,repetida?de ficar pelos cantos,dentro de mim,sonhando só.
Pára de bater essa paixão sempre colorida!
Você não enxerga,mas daqui de fora eu posso ver e sentir que não há tantas cores assim.
Vai,engole já esse choro que eu não sei te consolar! vê se pára de cobrar explicação a quem não sabe às vezes, nem ao menos onde está.Pára de querer me fazer crer que contos de fadas existem!Eu quero fotos e fatos! Você não me deixa sair do imaginário!
Pára!eu tô cansada!de ouvir você em vão bater na porta da ilusão.Não há ninguém aí entendeu?
pára de conversar com a esperança,as vezes ela não sabe o que diz.Nem o que espera.
Não vê que assim,sentados,bem acomodados,não estamos bem?
pára de pulsar assim desse jeito,feito menino,como quem pede faminto aquele doce sorriso.
Você tem medo de quebrar-se que eu sei;então não peça
que eu te coloque em mãos alheias. ou peça,mas me deixe fazer.
não me peça pra fazer o que eu já queria ter feito e ao mesmo tempo,de medo,me ate as mãos.
falando os dois,na mesma hora,nunca nos escutaremos,nem nos faremos escutar.
Ou te calas ou me deixas falar e fazer o que tu doido queres,mas não pode.

Sou eu a tua tradutora,a tua intéprete.Eu,unicamente eu. Não me tire o meu papel,a minha voz.

ENTENDEU?Então,estamos combinados? [...] bem que nessas horas você podia me ajudar, falar,dizer que sim.

.
.
.

Tô precisando trocar o disco,o ritmo,sabe como é? Chega de passinhos comedidos,modestos e tímidos. Quero rodar,rodar,rodar,até ficar perfeitamente tonta!sentir enfim o meu mundo girar,falta de equilíbrio. Ouvir enfim os meus quase extintos instintos.

Delicate blossom

“Não tem mistério, não
É só teu coração
Que não te deixa amar.”

tá bom/los hermanos.

Add comment Junho 17, 2008

dos medos-desejos e das impossibilidades.

Deixa eu te dizer que tenho tido medo muito do acaso, de alguém que chegue mais perto,sorrateiro me roube todos os beijos que com esmero guardo pra ti.
Tenho medo da idéia, do que fica no ar, das portas abertas,do vazio que deixas aqui.
Do passar igual dos dias,
da minha ansiedade por ser feliz,
dos convites convenientes pra sair .
Eu não quero querer outros olhos, outras mãos, outros vícios;
manias malucas,extravagâncias que não as tuas!
É difícil permanecer quieta querendo! mas eu permaneço; nem tão quieta assim. É visível se você quiser ver.
É tão difícil quanto pedir ao coração sossego quando você passa; quando fala, e tudo quanto é coisa que você faça! ele não me dá ouvidos. Talvez pq não os tenha, não sei.
Difícil como distrair os meus olhos, para que não te notem.
Ao corpo, que á minha ordem, obedeça:
-Hei, não estremeça!
É querer que me sobre ar, se você está perto.É não me virar do avesso ao perceber no teu jeito, que você me quer. Será?
Tudo muito improvável. Não, não.
Sem exageros e medos, troco o improvável pelo impossível.

Tentei esquecer que ele virou a minha quase única inspiração pra escrever;isso sem falar da minha cabeça. Aqui estou eu,como se pode ler,mais uma vez. ^^

Delicate.

Add comment Junho 17, 2008

Pra não esquecer.

“sorrisos como esses eu vou deixar na estante para eu ter um dia melhor”

Add comment Junho 8, 2008

constantemente inconstante.

Ela havia planejado estar bem naquela noite;pra sorrir,pra cantar,ver,ouvir;o movimento impaciente das pessoas,vaivém constante de coisas,cores,cheiros,vozes,idéias,sensações! Planejou conversas despreocupadas,sorrisos largos,risadas altas,quis respirar o cheiro da noite fora de casa, como raramente fazia.Quis chegar com as pernas de cansaço bom,pesadas,com a cabeça cheia,fervilhante;com o corpo quente,o sangue correndo-lhe rápido nas veias.Quis ter novidades pra contar no outro dia, talvez um fato ridículo como um tombo,um imprevisto como um banho de chuva,o olhar desejoso,escancarado de um cara legal que a fizesse sentir-se viva. Ela não planejou ficar triste justamente naquele dia que seria de sorrisos exagerados. Havia perdido no caminho toda a empolgação,todo o ânimo,todo o fôlego que antecede algo novo. Estava agora de coração pequeno,amarrotado demais pra sair. O sorriso planejado, não se sustentava no rosto.Deslizava,rumo ao chão,junto com aquele choro tão pesado e estúpido. Os amigos ainda ligaram pra perguntar o porque da desistência,uma mistura de educação e carinho. Por certo,acharam os seus motivos fúteis,e eram mesmo.os que ela dera. talvez se pudessem sentir uma pontinha daquele entalo,daquele amargo no meio da garganta entendessem.talvez não. talvez assim nem tivessem ligado. Sentia raiva dela mesma, por ter sacrificado mais uma noite por tristezas vãs,mas sufocantes,sufocadas mais tarde por ela num travisseiro. E o motivo não era outro.não era novo.tinha mesmo nome. era sempre o mesmo.

delicate blossom•

1 comment Junho 7, 2008

é improvável.

-E como dói essas verdades que vez ou outra quem me quer bem, devidamente as joga bem no meio da minha cara! Incomoda saber por terceiros,aquilo que a sete chaves se esconde de si mesmo;que não tenho feito,nada por mim,pra ser feliz;que só sei esperar ser e não sou. É dura a presença da verdade quando não se está em paz com ela. É duro ser informada que dou tão pouco valor aos meus dias, mesmo sabendo que são tão raros.tão raros! eu sei de tudo que deveria fazer,e do que não. Mas essa consciência não vale muito,na realidade não vale nada, quando desacompanhada de atos que a provem. Eu sei que estou indo na contramão;e quem vem de lá,vem veloz;é o que sinto. Desse jeito,ainda suponho sair ilesa,sem arranhões no peito. Bater de frente com os próprios sentimentos e não se machucar, é tão improvável quanto comer doce e em seguida não ter sede;como ler poesia que lê a gente e não suspirar,apaixonar-se e não sentir ventania correr pelo estômago toda vez que ele(a) para ou passa. Absurdo como pronunciar as palavras todas ao contrário,desordenadas,esperando ser entendido; deixar sementes de um velho e estúpido orgulho,esperando na volta colher bons frutos,enquanto sente-se o cheiro bom das flores que não se regou;é querer saber-se amado sem antes querer saber amar. Dá?

‘blossom’

Add comment Junho 4, 2008


Florescência

Se do mesmo modo que pode-se abrir o peito: pele, músculos e ossos, até o vermelho e nú coração arquejante, pudesses abrir meu ser: sonhos e medos, até a alma nua e palpitante, encontrarias um lugar escuro e úmido, com cheiro de terra molhada pela chuva. Ali, na terra fértil de minha alma chão lançou o semeador sementes de sonhos que brotaram rompendo a superfície da pele. Delicados botões que estão quase a florir, na ponta de retorcidos galhos de hera, pois já espia colorida a primavera, por sobre o ombro castanho do inverno. ♥ Lenise Marques

No meu jardim~*

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