Por que?

Junho 24, 2008

Por que é tão difícil declarar sentimentos sem a garantia de que ao terminar se vai escutar : “eu também”?
Por que é tão difícil atravessar essa ponte chamada vaidade sem a garantia de que
haverá alguém do outro lado,sorrindo,nos esperando?
Por que muitos de nós,escolhemos continuar a sentir dor se há como aliviá-la?
A probabilidade de senti-la ser multiplicada no caminho pra chegar ao alívio nos faz ficar
com a dor habitual mesmo. tolice! Pq as vezes a dor é aquela que não passa,não diminui,não desacelera,não estaciona com o tempo.
E você acaba congestionando você mesmo mais ainda.
Passa a sentir o dobro,o triplo,o incontável. Se perde.
Pensa em soluções insolúveis. Vê e sente tudo em grau absurdo. As formigas te assustam e num copo d’água você pensa que pode se afogar.
É mesmo difícil deixar de olhar pra si, pra atender sentimentos,vontades,desejos,anseios que são invisíveis;distantes.
Mas só você sabe,sabe pq sente,o quanto eles podem se fazer presentes,concretos!
Você sabe que quando não ouvidos criam mãos,
apertam nosso peito,criam dentes,mastigam nosso juízo.
É mais fácil fingir que
não existem né? conversa pra dor dormir!
Por que preferimos andar sobre a solidez de espinhos à pular de olhos vendados num precipício?
É a altura,é a possibilidade da queda,de estabacar-se todo,quebrar braço,perna,manchar essa nossa cara bonita.
Assumir sentimentos dá trabalho,é complicado,mas ignorá-los definitivamente eu nem sei mais. Tento. Por isso todo esse amontoamento de mim.Falta orientação,sobram apertos,portas,medos!Por isso escrevo.

Delicate.

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Florescência

Se do mesmo modo que pode-se abrir o peito: pele, músculos e ossos, até o vermelho e nú coração arquejante, pudesses abrir meu ser: sonhos e medos, até a alma nua e palpitante, encontrarias um lugar escuro e úmido, com cheiro de terra molhada pela chuva. Ali, na terra fértil de minha alma chão lançou o semeador sementes de sonhos que brotaram rompendo a superfície da pele. Delicados botões que estão quase a florir, na ponta de retorcidos galhos de hera, pois já espia colorida a primavera, por sobre o ombro castanho do inverno. ♥ Lenise Marques

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