é sem querer.

Junho 26, 2008

Eu não queria
mas quando vejo
já escureceu
escureci mais aqui.
Eu não queria
escrever depois ler
essas palavrinhas
tão apertadas,tão ancoradas.
Por que tem palavra clara,
que toca,que dança e tira pra dançar.
eu queria essas palavras
salvas,soltas,que de soslaio me fizessem lembrar
azul,céu,banho bom de amar.
Escrevo agora do meu apetite por elas
porque tenho fome de dias leves levados.
É mais desvio.
Caminho pra não lembrar das outras,
das tais tão tolas,
do frio.
Não tem jeito.
Meu vocabulário anda comigo,
anda que nem eu,
de cabeça baixa,
sem coragem nem autoridade
pra mandar a tristeza sair do meio.

blossom•

Entry Filed under: Poesia. .

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Florescência

Se do mesmo modo que pode-se abrir o peito: pele, músculos e ossos, até o vermelho e nú coração arquejante, pudesses abrir meu ser: sonhos e medos, até a alma nua e palpitante, encontrarias um lugar escuro e úmido, com cheiro de terra molhada pela chuva. Ali, na terra fértil de minha alma chão lançou o semeador sementes de sonhos que brotaram rompendo a superfície da pele. Delicados botões que estão quase a florir, na ponta de retorcidos galhos de hera, pois já espia colorida a primavera, por sobre o ombro castanho do inverno. ♥ Lenise Marques

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