máscaras.

Julho 28, 2008

Lá estava ela..participando de mais uma cena feliz da vida de alguém,papel coadjuvante,nem que pela metade tentando ser feliz também. Seu riso era sincero,mas curto. Uma vontade de chorar que as vezes vinha,era mais de alegria ao ver tantas cores,tanto afeto fluindo,tanto abraço apertado e bonito. Vez ou outra,um vazio lhe preenchia,uma saudade de coisa alguma,uma culpa por saber que não exibia na cara aquela felicidade tão clara,tão completa que enxergava nos outros,ou que não conseguia fingir tão bem quanto eles. Espantava rápido esses pensamentos para acompanhar a piada seguinte,as vezes não conseguia mas ria,um riso meio torto,meio morto. Ninguém notou diferença, afinal é normal desânimo em fim de festa. Fingiu tão bem nesses últimos dias que estava bem,que ela própria acreditou que estivesse. Questionava-se o que teria comido antes,em casa,que lhe fisgava o estômago. Era isso. Talvez o que não a deixava sentir-se completa feliz,era apenas uma simples e incômoda dor no estômago. -Pensou.

Não eram as tardes de solidão acomuladas,nem o telefone mudo,nem o casal apaixonado na calçada; não era a televisão ligada pra fazê-la dormir cedo,nem os beijos dissolvidos,a contra-gosto engulidos,os abraços guardados pra ninguém,nem os olhos vermelhos na frente do espelho; não eram as noites que teve a certeza de ser a menina mais feliz do mundo nos braços de um cara e perceber pela …não sabe-se quantas vezes,que o que realmente abraçava, era o seu velho mudo companheiro,e no exato momento que acordava,idiota travesseiro! Não,não devia ser nada disso..não eram os seus desejos deixado num canto(mais precisamente debaixo do tapete),pra não sabe-se-quando,pra não sabe-se quem!

Por que não cala essa boca,descruza esses braços e vem me tirar o ar ? Eu não quero mais ouvir certas coisas que você diz, se só fazem sentido quando feitas, nem saber das tuas banalidades, quando o que eu quero e carrego no peito vale muito. Caso você queira me deixar tonta,tonta o bastante pra não me importar o outro dia,pra me fazer esquecer que horas são,pra fazer dançar essa louca que mora quieta dentro de mim, pra me fazer rir da garota sensata que me domina,e que duvida, que apareça quem desperte a inconsequente,a impulsiva,a reativa,a atrevida! Se for assim,não tem conversa;tem beijo,tem palavras desconexas, que fazem todo sentido ditas ao pé do ouvido,tem cheiro,tem coração batento a mil,tem boca salivando,tem olho no olho,pele com pele,tem arrepio; Mas se o que você quer é jogar,então vem,mas mostra a cara,coloca as cartas na mesa, fica bem ao meu alcançe caso eu queira contestar,caso eu queira te premiar com um beijo! Eu perdi o medo de perder. Amor,eu sou pequena ainda,mas esse esconde-esconde não tá com nada, a gente se quer,a gente não se procura, a gente não se acha!QUAL A GRAÇA??? Eu não vejo nenhuma,então vê se me deixa fora disso e cai fora de mim!

Estava agora em casa,com uma puta raiva dentro dos bolsos. Não queria acreditar que todas essas babaquices lhe tiravam a felicidade de novo,pior, que não deixaram de tirar.Não queria nem mesmo escrever depois sobre isso. Era um tapa no seu esforço pra esquecer,que só sabia sentir,querer; que era uma BURRA, em matéria de racionalizar sentimentos e mais burra ainda se tornava ao romantizá-los. E pra isso,putakipariu! não tinha remédio que desse jeito.

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  • 1. keka  |  Agosto 3, 2008 at 2:15 am

    saudade daqui

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Florescência

Se do mesmo modo que pode-se abrir o peito: pele, músculos e ossos, até o vermelho e nú coração arquejante, pudesses abrir meu ser: sonhos e medos, até a alma nua e palpitante, encontrarias um lugar escuro e úmido, com cheiro de terra molhada pela chuva. Ali, na terra fértil de minha alma chão lançou o semeador sementes de sonhos que brotaram rompendo a superfície da pele. Delicados botões que estão quase a florir, na ponta de retorcidos galhos de hera, pois já espia colorida a primavera, por sobre o ombro castanho do inverno. ♥ Lenise Marques

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