qua-se.

Setembro 10, 2008

Hoje quase clareamos,quase fomos honestos,quase passamos por cima de. Você me disse, como quem não quer o nada,que não estava bem,assim,de repente,no meio do riso. E eu entendi aquilo como uma corda que você jogava pra eu te alcançar. A segurei como quem segura um fio de vida,pedindo pra saber de você,pedindo pra você me ajudar e segurar também. Você disse que não podia. E eu me perguntei qual seria, o propósito de se jogar uma corda a alguém senão resgatar,trazer pra perto?Hein???Quis te sacudir e perguntar em voz alta o que latejava no pensamento;Mas continuei te segurando com os olhos,solicitando o fim do espaço,do intervalo,da indiferença entre nós.  E eu só te via se afastando,cada vez que eu te pedia pra confiar,pra não soltar. Você soltou,deixando cair no chão a incerteza,e saiu. A deixou lá,mirando o meu peito mais uma vez. Eu passei por ela,sem olhá-la olhando,temerosa, fingindo confiança pra ela não perceber e me seguir,como eu fazia quando criança, ao passar por um cão com caradepoucosamigos. Ficou-se lá,parada,a incerteza inflada de certeza,esperando eu voltar para apanhá-la.Voltei,e mais uma vez a levei pra casa; pra alimentar esse sentimento que já arqueja e precisa de mim pra andar,o mesmo que,contraditoriamente, também me conduz e irriga de vida o meu coração.

Entry Filed under: Florescência. .

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  • 1.  |  Setembro 13, 2008 at 2:39 am

    ô menina, lendo assim dá quase pra sentir oq vc sentiu, um aperto fino de quem está a um passo de atravessar a ponte, sem saber se vai até lá,ou se acha mais bonita a paisagem vista do alto. Atravessa. Vc sabe que que o melhor da flor não é a beleza, é o toque, o perfume. Seu blog tá lindo, ou eu que também estou muito sentimental.

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Florescência

Se do mesmo modo que pode-se abrir o peito: pele, músculos e ossos, até o vermelho e nú coração arquejante, pudesses abrir meu ser: sonhos e medos, até a alma nua e palpitante, encontrarias um lugar escuro e úmido, com cheiro de terra molhada pela chuva. Ali, na terra fértil de minha alma chão lançou o semeador sementes de sonhos que brotaram rompendo a superfície da pele. Delicados botões que estão quase a florir, na ponta de retorcidos galhos de hera, pois já espia colorida a primavera, por sobre o ombro castanho do inverno. ♥ Lenise Marques

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