Archive for Outubro, 2008
Deixo.
Parece que você sabe a hora certa de incomodar esse sentimento que está cansado e quer partir,que já vai na esquina,que só quer descansar em outro lugar.
Parece que você sabe que quase te esqueço,que quase me convenço,quase venço,quase dou meu coração a quem nele faz carinho.
Parece que você sabe o jeito exato de me fazer voltar,ou parar apenas;
pra te olhar mais uma vez,pra rir das tuas manias só mais um pouco,
pro coração bater de novo,por ligeiros segundos,só pra me lembrar pelo resto do dia que ele é teu.
-Ainda não,você parece dizer. Ainda não é a hora de deixar de me querer ou
simplesmente deixar de esperar que eu te queira. Fica aí mais um pouco…
deixa eu ver de novo como você esquece dos outros quando eu falo manso com você,deixa eu sentir teu corpo só mais uma vez perdido ao encontrar o meu,deixa eu me confirmar como o cara certo pra você se apaixonar mas não pra se apaixonar por você…
Deixa eu notar de novo os teus olhos vez enquando desviando pra minha boca quando eu converso muito perto.
Deixa eu te mostrar como eu gosto de cálculos,como eu sei dividir você…
Deixa vai,deixa eu te lembrar como você gosta do meu abraço,e do meu cheiro,e das minhas bobagens,e do meu ar de menino,e da minha força de homem.
Deixa eu te acolher assim,como se eu quisesse te levar pra casa,e depois te soltar de repente como quem se enganou.Deixa eu me sentir querido com um olhar teu.Deixa eu ficar perto ao mesmo tempo tão distante pra você sentir como incomoda.
Deixa eu brincar assim com você,te fazendo perder a paciência e esse ar de boa amiga,esse passo de moça tranquila,que anda,e fingi que engana,como se não sentisse pressa de amar.de me amar.
Deixa eu te fazer cair em contradição,depois nos meus braços,depois na realidade de não me ter.
E eu deixo, achando que qualquer dia desses vc deixa de vir ao meu jardim colher as minhas melhores flores para adornar a tua vaidade. E eu deixo,achando que isso não se desdobra em mais querer. Deixo,porque sou humana demais,eu sou carne e coração,pq as vezes eu preciso acreditar que você ainda sente. Deixo,pq eu preciso te aproveitar enquanto você não vira só saudade.só saudade.
Blossom~
Por:Lá caitlin
1 comment Outubro 29, 2008
quando se quebra a ilusão.
Decidiu ficar.Ou outra coisa dentro dela,coisa independente,decidiu que ficaria.
Encaminhou-se à biblioteca,foi encaminhada,puxada pela mão de alguém que não via. Alguém que precisava dos olhos dela pra ver,do coração dela pra sentir. E ela foi,como quem não quer lá muito,mas tem curiosidade. De repente parou,sem deixar de andar,de espanto,por dentro.
Era ele,sentado ao lado de uma menina que não reconheceu,mas que sabia quem era.
Seu coração bateu forte,e mais forte,e mais forte,até ficar fraco. Adentrou a biblioteca pra esconder o susto,depois mágoa,depois solidão,depois o que não cabia mais,o inescondível.
Sentou,achando que assim acharia lugar.
Tinha-o perdido! perdido não era bem a palavra era?pois para perder não seria preciso antes ter? nunca o tivera de verdade.
Mas não achou palavra melhor,mas sentia assim,como se os dois tivessem sido sempre e agora,de um golpe só,deixassem de ser.
A realidade de não tê-lo,sentindo-se sua,era apertada,e vestir-se de ilusão por vezes era mais confortável.
Estava despida agora de qualquer sonho.O que lhe deixou extremamente sensível.
Respirou fundo e saiu,dando as costas,fingindo para si que precisava ir ao banheiro aliviar a bexiga e não a alma,os olhos pesados de desilusão,a boca transborando palavras não ditas e beijos não dados.
Molhou um pouco os cabelos,como se o que lhe preocupasse fossem os fios fora de lugar e não o peito quase fora dela.Voltou,o que lhe fez olhá-lo de frente mais uma vez.
Ele aninhava-se a ela como um gato à sua dona. Sentou-se e abriu um livro.
Sentia-se incomodada como se as paredes fossem de vidro e ele a pudesse ver de onde estava.
Tinha o rosto imóvel,não olhava para os lados,apenas para aquelas
formigas paralíticas no papel que as vezes mais pareciam letras querendo dizer algo.
Teve a impressão de que se olhasse as janelas,poderia ver um beijo, e se não lesse sem parar,ouvindo mentalmente a própria voz,escutaria-os,e isso era demais. Exatamente alí,onde era exigido o silêncio,gritava.
Add comment Outubro 13, 2008