reflexos,reflexões.

Janeiro 7, 2009

Vulgarmente,paira sobre mim uma pesada sensação de nada.Um vão,um intervalo muito longo que esqueceu de acabar,uma falta de alguma coisa que eu não sei o nome.Talvez sejam só esses dias isentos de pressa e obrigações…talvez seja eu,talvez tudo.
É então que às vezes,saiu a dar voltas fora de mim;escapulo pra me observar.
Depois desse passeio não tenho vontade de voltar pra casa,pra mim; como um passarinho que,vendo-se livre,entende que suas asas foram feitas para voar e alcançar os céus e beijar o vento,não vê mais sentido em retornar a gaiola.

Mas eu volto sempre,como também o passarinho que desaprendeu a ser.Volto pro abrigo,que só não me protege de mim mesma; dessa outra que mora aqui e que também atende pelo meu nome. Ela,que quando a vida chama para uma dança recusa,e me deixa trocando passos com a solidão. Ela,que é cheia de idéias inalcançaveis,e não me deixa andar de pés descalços nem brincar com a chuva. Ela,que acha um desaforo eu achar desafio voar sem ter asas…
Ela que está sempre tão preocupada com o que há de vir,e me rouba o que poderia já estar sendo…troca as minhas palavras,me silencia outras;afrouxa as minhas certezas,sublinha os meus medos.
É dela que,ora  tento me proteger,ora me desvencilhar,enfim aparecer…é ela que,enquanto existir, enquanto reinar em mim,não me deixará viver.

Blossom

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Florescência

Se do mesmo modo que pode-se abrir o peito: pele, músculos e ossos, até o vermelho e nú coração arquejante, pudesses abrir meu ser: sonhos e medos, até a alma nua e palpitante, encontrarias um lugar escuro e úmido, com cheiro de terra molhada pela chuva. Ali, na terra fértil de minha alma chão lançou o semeador sementes de sonhos que brotaram rompendo a superfície da pele. Delicados botões que estão quase a florir, na ponta de retorcidos galhos de hera, pois já espia colorida a primavera, por sobre o ombro castanho do inverno. ♥ Lenise Marques

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