Posts filed under 'Confissões-confusões'

reflexos,reflexões.

Vulgarmente,paira sobre mim uma pesada sensação de nada.Um vão,um intervalo muito longo que esqueceu de acabar,uma falta de alguma coisa que eu não sei o nome.Talvez sejam só esses dias isentos de pressa e obrigações…talvez seja eu,talvez tudo.
É então que às vezes,saiu a dar voltas fora de mim;escapulo pra me observar.
Depois desse passeio não tenho vontade de voltar pra casa,pra mim; como um passarinho que,vendo-se livre,entende que suas asas foram feitas para voar e alcançar os céus e beijar o vento,não vê mais sentido em retornar a gaiola.

Mas eu volto sempre,como também o passarinho que desaprendeu a ser.Volto pro abrigo,que só não me protege de mim mesma; dessa outra que mora aqui e que também atende pelo meu nome. Ela,que quando a vida chama para uma dança recusa,e me deixa trocando passos com a solidão. Ela,que é cheia de idéias inalcançaveis,e não me deixa andar de pés descalços nem brincar com a chuva. Ela,que acha um desaforo eu achar desafio voar sem ter asas…
Ela que está sempre tão preocupada com o que há de vir,e me rouba o que poderia já estar sendo…troca as minhas palavras,me silencia outras;afrouxa as minhas certezas,sublinha os meus medos.
É dela que,ora  tento me proteger,ora me desvencilhar,enfim aparecer…é ela que,enquanto existir, enquanto reinar em mim,não me deixará viver.

Blossom

Add comment Janeiro 7, 2009

máscaras.

Lá estava ela..participando de mais uma cena feliz da vida de alguém,papel coadjuvante,nem que pela metade tentando ser feliz também. Seu riso era sincero,mas curto. Uma vontade de chorar que as vezes vinha,era mais de alegria ao ver tantas cores,tanto afeto fluindo,tanto abraço apertado e bonito. Vez ou outra,um vazio lhe preenchia,uma saudade de coisa alguma,uma culpa por saber que não exibia na cara aquela felicidade tão clara,tão completa que enxergava nos outros,ou que não conseguia fingir tão bem quanto eles. Espantava rápido esses pensamentos para acompanhar a piada seguinte,as vezes não conseguia mas ria,um riso meio torto,meio morto. Ninguém notou diferença, afinal é normal desânimo em fim de festa. Fingiu tão bem nesses últimos dias que estava bem,que ela própria acreditou que estivesse. Questionava-se o que teria comido antes,em casa,que lhe fisgava o estômago. Era isso. Talvez o que não a deixava sentir-se completa feliz,era apenas uma simples e incômoda dor no estômago. -Pensou.

Não eram as tardes de solidão acomuladas,nem o telefone mudo,nem o casal apaixonado na calçada; não era a televisão ligada pra fazê-la dormir cedo,nem os beijos dissolvidos,a contra-gosto engulidos,os abraços guardados pra ninguém,nem os olhos vermelhos na frente do espelho; não eram as noites que teve a certeza de ser a menina mais feliz do mundo nos braços de um cara e perceber pela …não sabe-se quantas vezes,que o que realmente abraçava, era o seu velho mudo companheiro,e no exato momento que acordava,idiota travesseiro! Não,não devia ser nada disso..não eram os seus desejos deixado num canto(mais precisamente debaixo do tapete),pra não sabe-se-quando,pra não sabe-se quem!

Por que não cala essa boca,descruza esses braços e vem me tirar o ar ? Eu não quero mais ouvir certas coisas que você diz, se só fazem sentido quando feitas, nem saber das tuas banalidades, quando o que eu quero e carrego no peito vale muito. Caso você queira me deixar tonta,tonta o bastante pra não me importar o outro dia,pra me fazer esquecer que horas são,pra fazer dançar essa louca que mora quieta dentro de mim, pra me fazer rir da garota sensata que me domina,e que duvida, que apareça quem desperte a inconsequente,a impulsiva,a reativa,a atrevida! Se for assim,não tem conversa;tem beijo,tem palavras desconexas, que fazem todo sentido ditas ao pé do ouvido,tem cheiro,tem coração batento a mil,tem boca salivando,tem olho no olho,pele com pele,tem arrepio; Mas se o que você quer é jogar,então vem,mas mostra a cara,coloca as cartas na mesa, fica bem ao meu alcançe caso eu queira contestar,caso eu queira te premiar com um beijo! Eu perdi o medo de perder. Amor,eu sou pequena ainda,mas esse esconde-esconde não tá com nada, a gente se quer,a gente não se procura, a gente não se acha!QUAL A GRAÇA??? Eu não vejo nenhuma,então vê se me deixa fora disso e cai fora de mim!

Estava agora em casa,com uma puta raiva dentro dos bolsos. Não queria acreditar que todas essas babaquices lhe tiravam a felicidade de novo,pior, que não deixaram de tirar.Não queria nem mesmo escrever depois sobre isso. Era um tapa no seu esforço pra esquecer,que só sabia sentir,querer; que era uma BURRA, em matéria de racionalizar sentimentos e mais burra ainda se tornava ao romantizá-los. E pra isso,putakipariu! não tinha remédio que desse jeito.

1 comment Julho 28, 2008

encontro.

Vem cá. Me da as tuas mãos.Agora deixa-as assim,abertas desse jeito,pronto.
Toma,segura só um pouco o meu coração,sente como pesa,como arde,como teima. Esquece, não fala nada agora, só me olha. Fica tranquilo.Não quero promessas.Não vou pedir que cuides dele,nem que meças palavras e atos para não arranhá-lo.
Só quero que agora,nessa exata hora, o sinta,o conheça,o queira ou não queira. Eu aceito devolução.
Tô sabendo, isso vai me custar um embaraço,um entalo,um branco no meu vocabulário já tão ralo;vou me confundir,as palavras vão fugir mas não as culpo,quando a armadura cair eu sei,também vou querer escapulir,mas olha.
Daqui eu não saiu se não sair, isso que eu não sei o nome,isso que eu sinto que nunca senti.
Empresta-me teus ouvidos,um tantinho do teu sossego? Não precisa chegar tão perto,fica aí mesmo;tua respiração pertuba a minha, e hoje preciso de fôlego,de calma pra te falar dos meus medos,de apertos tão inteiros,de sonhos tão urgentes.
Escuta…espera…eu,eu,eu…te quero! de um jeito que é estranho,que é meu,louco,novo,sincero! Eu gosto disso;me faz sentir ainda mais menina,mais tonta,mais aérea! Ao mesmo tempo que me faz sentir medo,
como criança do escuro e dor que eu pensei ser só de adulto. É gosto e desgosto. Vento nos cabelos e de repente paralisia.
É morder os lábios de desejo bom pensando em ti, e feio me ferir ao perceber que não estás aqui;ao alcançe dos meus dedos,das mãos,dos pés,da boca,da música que eu canto,dos poemas que eu leio.
Eu cansei de dividir meu quarto,minhas gavetas,minhas horas,minhas letras com as dúvidas.Pra falar a verdade,nunca gostei delas,odeio gente espaçosa. Pensando bem,isso de odiar certas coisas é relativo.
Pois pra você,faria cópia da chave do meu ser,da minha casa, e ao te entregá-la,diria:
-Entre,fique à vontade,descubra cada canto e recanto de mim.
Mas não me invada,não me arrombe as portas se as chaves te dei nas mãos.
Desculpe! Às vezes não percebo se tiro os pés do chão.
Eu falava de dúvidas não é? pois bem,como dizia,estou cansada delas. E esse cansaço foi quem me trouxe até aqui.
Estou Cansada de mostrar um sorriso que não é meu,de fingir que não sinto tudo quando você passa,e como quem não quer nada,dá um bom dia.
Cansada de conversas tolas,perguntas soltas,(será que vai chover?e ai?oi,tchau.)Quando o que eu queria é falar dessa imensidão que eu sinto,
e que às vezes duvido,será que me cabe?
Não,agora nao mais. Sentimento cresce sabia?Eu sei,pq foi eu quem lhe deu de comer,quem o vestiu de esperança todo dia,quem por vezes a tirou também.
Por isso vim aqui,dividí-lo,em partes, com os teus ouvidos. Cansada de falar com as paredes, e por certo elas também estão,de me ouvir.
Cansada de enigmas,de querer decifrar as tuas linhas,os teus olhos,a tua contradição. Cansada de crêr em certezas tão certas quanto a certeza da chuva amanhã.
Eu quero a verdade nua e crua,dita pela tua boca e depois constatada nos teus olhos.Eu quero saber dos teus pensamentos,dos teus medos,dos teus desejos,mesmo que eu não esteja entre eles,mesmo que eu não seja um deles. Quero até mesmo saber,quem é outra,que agora ocupa o teu peito.Quero, nem que isso rasgue o meu.
Quero desperdiçar essa estranheza que há entre nós,até que não reste rastro dela.
• Não quero que nos percamos pela segunda vez sem antes nos encontrarmos;mesmo que esse encontro seja hoje,sinônimo, de despedida

Delicate Blossom

2 comments Junho 29, 2008

Por que?

Por que é tão difícil declarar sentimentos sem a garantia de que ao terminar se vai escutar : “eu também”?
Por que é tão difícil atravessar essa ponte chamada vaidade sem a garantia de que
haverá alguém do outro lado,sorrindo,nos esperando?
Por que muitos de nós,escolhemos continuar a sentir dor se há como aliviá-la?
A probabilidade de senti-la ser multiplicada no caminho pra chegar ao alívio nos faz ficar
com a dor habitual mesmo. tolice! Pq as vezes a dor é aquela que não passa,não diminui,não desacelera,não estaciona com o tempo.
E você acaba congestionando você mesmo mais ainda.
Passa a sentir o dobro,o triplo,o incontável. Se perde.
Pensa em soluções insolúveis. Vê e sente tudo em grau absurdo. As formigas te assustam e num copo d’água você pensa que pode se afogar.
É mesmo difícil deixar de olhar pra si, pra atender sentimentos,vontades,desejos,anseios que são invisíveis;distantes.
Mas só você sabe,sabe pq sente,o quanto eles podem se fazer presentes,concretos!
Você sabe que quando não ouvidos criam mãos,
apertam nosso peito,criam dentes,mastigam nosso juízo.
É mais fácil fingir que
não existem né? conversa pra dor dormir!
Por que preferimos andar sobre a solidez de espinhos à pular de olhos vendados num precipício?
É a altura,é a possibilidade da queda,de estabacar-se todo,quebrar braço,perna,manchar essa nossa cara bonita.
Assumir sentimentos dá trabalho,é complicado,mas ignorá-los definitivamente eu nem sei mais. Tento. Por isso todo esse amontoamento de mim.Falta orientação,sobram apertos,portas,medos!Por isso escrevo.

Delicate.

Add comment Junho 24, 2008

-Devia mesmo.

Ultimamente tenho me sentido muito; pequena,excessiva, quebradiça,vacilante.
Já não sei como manter-me calma em meio a esse vaivém de ventos
e sentimentos. Como disciplinar essa dor que à cada noite torna-se mais insolente; chega prepotente;deita,não dorme. É quando não sei mais o que pensar,o que fazer,o que dizer…
o que querer,o que sentir!talvez o certo seja escrever, que não sei como não pensar, como não fazer,
como não dizer,como não querer,como não sentir. Sinto-me e devo mesmo estar desencaminhada,perdida,fracionada,falida!
tentando inutilmente não afundar;apoiando-me em ilusões já submersas,
naufragadas,fugidas. Não consigo avistar caminhos que me levem a ficar bem agora.
Decido regressar e deixar sentimentos já crescidos,tão bonitos,pra trás. Experimento sozinha,depois, todo o prejuízo que isso me traz.
Prejuízo de quem conta mentiras a si mesmo,de quem nega sentir desejo…e espera inutilmente acreditar-se.
As vezes me passa,que deveria não deixar passar. Parar!dizer! não necessariamente com a boca,
mas com os olhos,com um abraço,um toque,uma respiração mais forte!
que está sendo penoso incumbir ao coração,a tarefa de deslembrar; que se apaixonou por um sorriso.
E omitir isso,é negligenciar o que sinto.
Mas não.
Agora,só me permito vir,não mais ir.
Vou oferecendo as costas,a quem desejo oferecer o mundo;inocentemente acredito assim,
também estar abandonando o que sinto;mesmo sabendo que sentimento
não se abandona, como uma bagagem no meio da estrada;
que muito pesa,e que se pode escolher levar ou não pra casa. Não posso.
Por que sentimentos,simplesmente, ficam do lado de dentro da gente.
São reais,porém não-palpáveis. Impossíveis,Improváveis; de tirar,puxar,separar com força!
Constatar isso,é como constatar o irremediável;o incurável.
Ter de levá-lo pra casa todos os dias, aqui dentro comigo,me pesa,me dói. Ter que não querer, absurdamente muito mais dói;me arde a valer,aos montes me corrói.

Delicate blossom

“devia ser proibido
estar do lado de cá”

Alice ruiz.


Add comment Maio 21, 2008

Espera.

Foto:by ~en-aveugle

-E quanto tempo será que ainda demora pro amor chegar?
-Será que vem vindo?
-Ou terá se perdido pelo caminho?
Já sei que não devo,o tempo,tanto e tão alto contar;o amor escuta e faz pirraça;
se esconde,faz graça.
Ele espera só que a gente,de repente, se distraia;aí nos abraça.
Quem,como,onde,quando,porque?
descobri que as vezes,certas coisas, a gente não precisa saber;
que o evidente é chato e não espanta ninguém.
E o que seria dessa vida, sem as bonitas e disformes surpresas?
o que somos nós, se nunca desconcertados?
se nunca banhados,por uma chuvinha travessa?
Tô aprendendo,que pra tudo existe um tempo.É quando penso;
que posso até já saber o nome do meu amor,ter nos olhos decorada a sua forma de andar, de gesticular; seu jeito ímpar de sorrir.
Eu não sei,quem é que sabe, se já tantas vezes o vi?
Isso realmente não importa. Na hora marcada,irremediavelmente,iremos nos reconhecer.
Certeza eu tenho que, contradizendo a lei da matemática,somaremos os dois, um dia,um ser.

•Amor,
os braços estão abertos
quando me quiser abraçar;
Se chegas,digo sorrindo,
seja bem-vindo
pode entrar •

Blossom

Add comment Maio 9, 2008

do meu estar.

Eu não sei até onde vai a minha solidez,essa minha consistência. Por enquanto me desfaço,me derramo longe dos teus olhos. Até quando eu não sei. Sinto que a qualquer hora me descobrirás no meu verdadeiro estado: saturada,amontoada,densa,fervilhante,liquefeita,matéria bruta esperando ser modificada. Ávida por um sopro,cheia dos sonhos; de toda noite rezar baixinho pra você amanhecer, chegar e dizer que tá chato,ruim, quem sabe até insuportável andar sozinho sem mim?tá…admito, quanto egoísmo!pois é tudo que desejo ouvir, mas é tudo também que não ouso falar. Amontoada estou de esperas; Densa,quando me sinto muito,daqui um minuto tão pouco pra você. Saturada de quases, dos “quem sabe”…quando,será?de porquês. Fervilhante toda vez que descubro te querer.Morna,quase fria,à tua frente quando finjo te esquecer; liquefeita ao ver teu sorriso dançando tão bonito longe do meu. Supor vc brincar com o meu coração nas mãos, achando tão legal tão normal me gasta;me consome. Acho que é só cansaço, de só saber o teu nome.De ter que te ver,te poupar do meu intento,do meu autêntico pensamento. Cansada de escrever pra abrandar,e acabar tumultuando mais o confuso. De guardar lugar,colo,coração,canção; pra quem esqueceu de chegar. Sentir a saudade bater,até arder;me maltratar.

Sentir que fomos feitos e somos desfeitos um pelo outro,cansa além de tudo. E muito.

delicateblossom’

Add comment Abril 30, 2008

Até quando?

Sim,

Definitivamente

não.

É mais.

Muito mais, do que o coração,

o meu,

consegue levar.

Fatigado ele está;

de à toa bater,

bater;

só o silêncio ensurdecedor responder.

Se vc, não tem mesmo nada a me dizer,

diga.

Eu preciso só te saber.

Nada anda.

Exceto o tempo, que nunca pára.

Enquanto isso, esperas de mim,

espero por ti.

E vamos esperando.

Até quando

esperaremos a felicidadenosbeijar?

Delicate.

Add comment Abril 5, 2008

É você.


É por você que perco a cabeça, a hora,as palavras,as chaves de casa! A tua mão que desejo segurar, por entre essas ruas, em qualquer lugar!Do teu nome é que não esqueço e que contrariada, vivo a pronunciar.Pela tua presença, meu corpo reclama,reclama e… reclama!É a doce e amarga lembrança, do teu rosto que me vem visitar.Mal-educada ela vem!Sem eu chamar. Por ti, é que precocemente, mordo os lábios de ciúmes…E isso por que?! se os teus,nem-nunca foram meus!Por ti é que as minhas tão banais certezas se confundem;lampejos de desejos vêm!Evaporam feito perfume…permanecendo o cheiro;afiado na pele. Contigo sonho, nessas desventuradas madrugadas; mas também a qualquer hora acordada. São nos teus olhos que bem de perto quero me enxergar a tua boca beijar no teu sorriso o meu deitar; recostada no teu peito todos os meus segredos e medos contar!Por ti é que o meu coração dispara, e a respiração se faz apressada!

[procurando o ar]…

É. Pensando em ti, e no nós que não existe, que me entristeço e que, contraditoriamente também sou feliz.

-E você ainda vem dizer, que não sinto nada.

~Blossom~

Add comment Março 30, 2008

Confusão.

-Será?

-Não,não…

-Sim!E por que não?

-Por qual razão?Nunca o sim e sempre o não?

.Blossom.

Add comment Fevereiro 23, 2008

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Florescência

Se do mesmo modo que pode-se abrir o peito: pele, músculos e ossos, até o vermelho e nú coração arquejante, pudesses abrir meu ser: sonhos e medos, até a alma nua e palpitante, encontrarias um lugar escuro e úmido, com cheiro de terra molhada pela chuva. Ali, na terra fértil de minha alma chão lançou o semeador sementes de sonhos que brotaram rompendo a superfície da pele. Delicados botões que estão quase a florir, na ponta de retorcidos galhos de hera, pois já espia colorida a primavera, por sobre o ombro castanho do inverno. ♥ Lenise Marques

No meu jardim~*

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